Napalm é o nome dado a um tipo de arma incendiária desenvolvida durante a Segunda Guerra Mundial e usada em larga escala em conflitos do século XX, com destaque para a Guerra da Coreia e a Guerra do Vietnã. Ele ficou conhecido pela capacidade de espalhar fogo sobre grandes áreas e aderir a superfícies, o que o tornou uma das armas mais associadas ao sofrimento de civis em guerras modernas.
Este artigo trata apenas do contexto histórico, do uso militar, das consequências humanitárias e das regras internacionais que passaram a limitar armas incendiárias. Não aborda nenhum aspecto técnico de produção.
Origem do napalm na Segunda Guerra Mundial
A arma foi desenvolvida nos Estados Unidos em 1942, em um projeto ligado à Universidade Harvard e liderado pelo químico Louis Fieser, no contexto do esforço de guerra. O nome vem de componentes usados na formulação original, e a palavra acabou virando termo genérico para esse tipo de munição.
Nos anos finais da guerra, bombas incendiárias foram usadas contra alvos na Europa e no Pacífico. O caso mais lembrado é o bombardeio de Tóquio em março de 1945, em que incendiários provocaram um dos ataques aéreos mais letais da história, com enorme número de vítimas civis em bairros de construções de madeira.
Uso militar ao longo do século XX
Guerra da Coreia
Entre 1950 e 1953, armas incendiárias foram amplamente empregadas contra posições militares, vilarejos e infraestrutura. Relatos da época já apontavam o impacto sobre a população civil.
Guerra do Vietnã
Foi no Vietnã que o napalm se tornou símbolo. Ele foi lançado por aviões para destruir vegetação usada como cobertura, atacar posições inimigas e apoiar tropas em solo. A cobertura jornalística e as imagens da guerra levaram esses efeitos às casas de pessoas no mundo todo.
Outros conflitos
Armas incendiárias semelhantes aparecem em registros de diversos outros conflitos do século XX, em diferentes continentes. Com o tempo, a pressão internacional e as mudanças nas doutrinas militares reduziram seu uso aberto.
A fotografia que mudou a opinião pública
Em junho de 1972, uma fotografia registrou crianças fugindo de um ataque em Trang Bang, no Vietnã do Sul. No centro, a menina Phan Thi Kim Phuc, com queimaduras graves. A imagem, tradicionalmente creditada ao fotógrafo Nick Ut, da Associated Press, recebeu o Prêmio Pulitzer. Nos últimos anos, a autoria foi questionada publicamente e passou a ser discutida por organizações de fotojornalismo, mas o peso histórico da foto não mudou.
Kim Phuc sobreviveu após longos tratamentos e, adulta, tornou-se defensora de crianças vítimas de guerra. A foto é frequentemente citada como uma das imagens que mais influenciaram a opinião pública contra a guerra.
Efeitos humanitários
O que torna armas incendiárias especialmente cruéis, segundo organizações humanitárias, é a combinação de efeitos:
- Queimaduras profundas e extensas, difíceis de tratar e com alto risco de infecção.
- Sequelas permanentes, como cicatrizes, perda de mobilidade e dor crônica.
- Efeitos indiscriminados, porque o fogo se espalha e atinge quem está por perto, inclusive civis.
- Danos ambientais em florestas, plantações e áreas de moradia.
- Impacto psicológico duradouro em sobreviventes e comunidades.
Hospitais em zonas de conflito raramente têm estrutura para tratar queimados graves em grande número, o que agrava o sofrimento.
O que dizem as convenções internacionais
O principal instrumento sobre o tema é o Protocolo III da Convenção sobre Certas Armas Convencionais (CCW), adotado em 1980 no âmbito da ONU. Em linhas gerais, ele:
- proíbe, em qualquer circunstância, atacar civis com armas incendiárias;
- proíbe atacar com armas incendiárias lançadas do ar objetivos militares localizados dentro de concentrações de civis;
- restringe o uso de outros tipos de armas incendiárias nessas áreas;
- protege florestas e vegetação, salvo quando usadas para esconder combatentes ou objetivos militares.
O protocolo não proíbe totalmente as armas incendiárias. Organizações como o Comitê Internacional da Cruz Vermelha e a Human Rights Watch defendem regras mais rígidas, argumentando que há lacunas, por exemplo em armas com efeito incendiário “secundário”.
Linha do tempo resumida
| Período | Marco |
|---|---|
| 1942 | Desenvolvimento nos Estados Unidos durante a Segunda Guerra |
| 1945 | Uso de incendiários em bombardeios a cidades japonesas |
| 1950–1953 | Uso amplo na Guerra da Coreia |
| Anos 1960–1970 | Uso no Vietnã e protestos internacionais |
| 1972 | Fotografia de Trang Bang ganha o mundo |
| 1980 | Adoção do Protocolo III da CCW |
| 2009 | Estados Unidos aderem ao Protocolo III, com reservas |
Legado cultural e memória
O napalm ficou marcado na cultura popular: aparece em filmes sobre a Guerra do Vietnã, em músicas de protesto e em livros de história. A frase de um personagem de “Apocalypse Now” sobre o “cheiro de manhã” virou referência, muitas vezes citada sem o contexto crítico do filme.
Museus como o Museu dos Remanescentes de Guerra, na Cidade de Ho Chi Minh, mantêm acervos sobre os efeitos da guerra, e o tema segue presente em debates sobre ética militar e proteção de civis.
Debates atuais sobre armas incendiárias
Nas reuniões periódicas da CCW, países e organizações da sociedade civil discutem se o Protocolo III deveria ser revisado. Os principais pontos em debate são a definição de arma incendiária, que hoje deixa de fora munições com efeito incendiário considerado secundário, e a diferença de tratamento entre armas lançadas do ar e do solo. Relatórios de organizações humanitárias sobre conflitos recentes alimentam essa discussão, que ainda não chegou a um consenso entre os Estados.
Para quem pesquisa o tema, as fontes mais confiáveis são os documentos da própria ONU sobre a CCW, os relatórios do Comitê Internacional da Cruz Vermelha e acervos de museus e arquivos históricos, que reúnem registros e depoimentos de sobreviventes.
Perguntas frequentes
O napalm é proibido?
Não há proibição total. O Protocolo III da CCW proíbe seu uso contra civis e restringe fortemente o uso em áreas com concentração de civis, para os países que aderiram ao tratado.
Quem inventou o napalm?
Foi desenvolvido em 1942 por uma equipe ligada à Universidade Harvard, liderada pelo químico Louis Fieser, a serviço do esforço militar dos Estados Unidos.
Por que o napalm ficou tão associado ao Vietnã?
Pelo uso intenso no conflito e pela cobertura da imprensa, especialmente a fotografia de Trang Bang em 1972, que expôs o sofrimento de crianças.
O Brasil faz parte da convenção sobre armas incendiárias?
O Brasil é parte da Convenção sobre Certas Armas Convencionais. Para confirmar a adesão a cada protocolo, consulte a lista oficial de Estados-parte mantida pela ONU.
Quais são os efeitos em quem sobrevive?
Queimaduras graves, cicatrizes, limitações físicas, dor crônica e traumas psicológicos, que exigem tratamento prolongado.
O que levar dessa leitura
O napalm é parte da história das guerras do século XX e um exemplo de como armas incendiárias atingem civis de forma indiscriminada. Sua trajetória ajudou a impulsionar regras internacionais como o Protocolo III da CCW, que ainda hoje é debatido por quem defende mais proteção à população em conflitos.

